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Quinta, 10 Abril 2014 09:59
(Allan Nunes Guerra durante discurso na Câmara dos Deputados)
A audiência pública sobre os Projetos de Lei nºs 7.169/14 e 7.108/14,
ocorrida na manhã desta terça-feira foi produtiva e teve a presença do
Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e do Ministro da
Advocacia-Geral da União (AGU). Os convidados levantaram dados
relevantes sobre os procedimentos do Judiciário brasileiro. Os Projetos
de Lei que tratam da mediação e da arbitragem na resolução de conflitos
têm como relator o Deputado Alex Canziani (PTB/PR), que presidiu a
reunião.
Luis Inácio Lucena Adams, Ministro da Advocacia-Geral
da União (AGU), apontou a morosidade de encaminhamentos dos processos
no Brasil como fator negativo ao país e às partes interessadas. “O
processo judicial é mais dispendioso para o Estado”, disse o Ministro em
defesa da prática da conciliação.
De acordo com dados do
Conselho Nacional de Justiça (CNJ), do ano de 2013, 18,9 milhões de
processos foram julgados no Brasil, enquanto o Judiciário recebeu 20
milhões de processos para analisar. As informações foram colocadas por
Murilo Portugal Filho, Presidente da Confederação Nacional do Sistema
Financeiro (CONSIF), representando a Confederação Nacional das
Instituições Financeiras (CNF). “Esses números deixam claro que não é só
uma questão de aumentar a eficiência do poder Judiciário, mas uma nova
forma de resolver litígios”, afirmou Filho.
O Ministro do
Superior Tribunal de Justiça (STJ), Luis Felipe Salomão, que teve papel
na elaboração de um dos projetos no período em que estava no Senado,
destacou que o número de ações no Judiciário, de 1988 a 2012, aumentou
de 10 a 15%, por ano, chegando em 2012 a ter 28,2 milhões de demandas,
enquanto o número de juízes não chegou a quintuplicar. “Nós temos a
segunda maior carga de trabalho do mundo, e a terceira maior taxa de
produtividade. Trabalhamos muito, mas mal. É quase um processo para cada
dois habitantes”, afirmou o Ministro.
O Secretário de Reforma
do Judiciário do Ministério da Justiça (MJ), Flávio Crocce Caetano,
ressaltou o tempo de resolução de um processo, em média 10 anos. Ele
citou o exemplo da Argentina como país em que a conciliação é usada com
sucesso há 17 anos, e apontou ainda alternativas para a questão, como um
melhoramento da carreira de estudantes de direito, cobrança do tema na
prova da OAB, e a ampliação de projeto do Ministério chamado ‘Justiça
Comunitária’, em que, segundo ele, 30 agentes comunitários são
treinados, atuando em 18 estados, para ajudar em processos de
conciliação de regiões de maior vulnerabilidade e acesso à justiça por
parte do cidadão. “Até o fim do ano queremos levar a iniciativa a todos
os estados. Já temos 85 núcleos”, complementou o Secretário.
A
advogada da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e
Turismo (CNC); representando o Sr. presidente Antonio José Domingues de
Oliveira Santos, Inez Balbino, demonstrou o posicionamento da
Confederação a favor dos benefícios da mediação e arbitragem mas sugeriu
mudanças ao Projeto de Lei que altera a Lei 9307. Allan Nunes Guerra,
Presidente da Associação dos Notários e Registradores do Distrito
Federal (ANOREG/DF) também afirmou sua concordância a aprovação das
propostas da audiência pública: “ Todo procedimento que preveja a
possibilidade de trazer um ato a ser praticado em cartório contribui
para a sociedade.”
Christina Aires Correa Lima, Advogada da
Confederação Nacional da Indústria (CNI), representando o Sr. Presidente
Robson Braga de Andrade, ressaltou que questões tributárias e
trabalhistas não foram contempladas nos projetos discutidos na reunião.
Ela relembrou que o governo também encaminhou projeto de conciliação,
que tramita na Casa, e que trata de questões tributárias.
Samantha Pelajo, Presidente da Comissão de Mediação de Conflitos da
Ordem dos Advogados do Rio de Janeiro (OAB/RJ) e Luis Alberto Salton
Peretti, representante da Comissão de Arbitragem da Ordem dos Advogados
do Rio de Janeiro (OAB/RJ), defenderam que a mediação oferece um ganho
em especial para as pessoas, que resolvem a questão a seu tempo, e não
no tempo da justiça, e que ter um advogado, no caso da arbitragem, para
auxiliar o cidadão, ajuda na flexibilidade da resolução do litígio, ao
mesmo tempo que também assegura todos os direitos dos envolvidos.
O Projeto de Lei da arbitragem, em nova distribuição para mais de três
Comissões, será analisado por uma Comissão Especial que terá
participação de Deputados da Comissão de Trabalho.
O Projeto de
Lei da Mediação, caso aprovado, segue para a Comissão de Constituição e
Justiça e de Cidadania. Em caso de não haver alteração, segue para
sanção. “A sanção será mais rápida. Queremos votar até o final de
abril”, informou o Deputado Alex Canziani (PTB/PR), que encerrou a
reunião citando Victor Hugo, "Nada mais forte que uma ideia cujo o tempo
chegou", considerando a anuência de todos os segmentos a respeito da
aprovação do tema.
Fonte: Câmara dos Deputados